segunda-feira, 9 de junho de 2014

Estórias e Imagens do 25 de Abril


José Dias e Alexandre Ramires no Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo
O cidadão José Dias esteve no dia 3 de junho na EB 2.3 C/ Sec. José Falcão (Miranda do Corvo), tendo dado o seu testemunho a alunos do 3º CEB e ensino secundário sobre a sua experiência como opositor ao regime ditatorial antes do 25 de Abril. O dinamizador falou dos cinco pilares em que assentava o regime: partido único, censura, polícia política, religião única e guerra colonial. Mostrou como se foi construindo um outro Portugal, paralelamente ao Portugal da ditadura, com pessoas resilientes, corajosas e interventivas, que fundaram partidos políticos na clandestinidade, que divulgaram os ideais democráticos, que foram presas e torturadas e/ou exiladas, que arriscaram as suas vidas escamoteando a censura e a polícia política e que criaram as condições para a Revolução dos Cravos. José Dias refletiu sobre a maneira como os pilares da religião única e da guerra colonial começaram a ruir e aceleraram a revolução. Com efeito, o Concílio do Vaticano II deu uma nova visão da religião e permitiu aos católicos progressistas intervirem ativamente na construção de um novo Portugal. Também muitos oficiais milicianos eram estudantes recrutados, muitos deles universitários, facto que ajudou à concretização da Revolução, pois aqueles foram grandes apoiantes dos capitães de Abril.

José Dias terminou as duas intervenções apelando à mobilização dos jovens, no sentido de prepararem um futuro que é incerto e que acarreta graves perigos, os quais devem ser enfrentados com determinação, conhecimento e sensatez.

Também o Dr. Alexandre Ramires se deslocou, no dia 6 de junho, à EBI/JI Ferrer Correia (Senhor da Serra), tendo dinamizado duas sessões para alunos do 3º CEB e do ensino secundário.

Alexandre Ramires provocou-nos o olhar, fixou-nos imagens, desfiou estórias a partir do rosto de pessoas anónimas, de pessoas de hoje, do presente, atores com responsabilidades sociais e politicas. A partir dos sais de prata que imobilizam o tempo desmontou os momentos retidos de uma manifestação de um facto banal para nos levar a compreender pedaços da história que não conhecíamos, desvendando o passado ainda tão presente, fixando e reconstruindo memórias fotográficas. Apesar de uma imagem, uma fotografia poder valer por mil palavras, segundo o investigador, ela terá que ser sempre questionada, interrogada, cruzada com outras fontes para que esteja apta a falar sobre o que tem para dizer.

Autor de várias obras, o professor e investigador Alexandre Ramires recuou anos, séculos, na linha do tempo para nos desvendar os caminhos que os historiadores de imagem percorrem até chegar aos retratos de José Falcão e António José de Almeida, entre ouros republicanos, que construíram a nossa identidade.

A organização destas atividades esteve a cargo das bibliotecas do Agrupamento, em articulação com o Grupo Disciplinar de História.

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